Crianças e as habilidades do futuro

Vou te fazer uma pergunta: lá pelos seus 15, 16 anos, quando começaram as dúvidas sobre qual profissão escolher, você poderia imaginar que existiriam profissões totalmente diferentes de todas as que você tinha conhecimento? Muitas delas responsáveis pelo surgimento dos novos milionários e desejada por grande parte das crianças e jovens de hoje?


Youtuber, digital influencer, engenheiro de dados, especialista em Inteligência Artificial... São algumas das novas profissões que, até pouco tempo atrás, não fazíamos ideia de que existiriam.


E você já parou para pensar que, quando as crianças de hoje entrarem para o mercado de trabalho, também existirão novas profissões que não fazemos a mínima ideia como serão? Que mercado de trabalho será esse? E como preparar nossas crianças para um mercado de trabalho que não se sabe como vai ser? Para um futuro desconhecido?


Podemos desconhecer as profissões do futuro, mas conseguimos sim, incentivar nas crianças de hoje capacidades que irão fortalecê-las e deixá-las mais bem preparadas para o futuro que vier, seja ele qual for.


Habilidades do futuro


Uma pesquisa feita pelo McKinsey Global Institute e publicada no site do Fórum Econômico Mundial explorou quais as características que um profissional deverá ter para esse novo mercado de trabalho, de acordo com as novas tecnologias, como a IA, automação e robótica, vão evoluindo.


O estudo mostra que, enquanto a necessidade por trabalhos manuais vai diminuindo, aumenta a demanda por habilidades tecnológicas, sociais, emocionais e cognitivas.


A pesquisa identificou 56 habilidades fundamentais que foram associadas a uma maior empregabilidade, salário e satisfação no futuro e chamaram essas habilidades de DELTAs (Distinct Elements of Talents).


Os DELTAs fora divididos e 4 categorias: cognitivo, interpessoal, autoliderança e digital. Desse modo:



Habilidades Cognitivas
Habilidades de Liderança











Habilidades Digitais
Habilidades Interpessoais












Em um mercado que está, a cada dia que passa, mais automatizado, digital e dinâmico, todas as pessoas irão se beneficiar em ter essas habilidades fundamentais, que as ajudarão a preencher 3 critérios, não importa em qual carreira:


1- agregar valor além do que pode ser feito por sistemas automatizados e máquinas inteligentes;


2- operar em um ambiente digital;


3- continuamente se adaptar a novas maneiras de trabalho e novas ocupações.


Estamos preparados?


Baseado em tudo isso, fica claro que as habilidades que muitos de nós, adultos, desenvolvemos para o nosso mercado de trabalho, já não é mais suficiente para os dias de hoje, quanto mais para um futuro próximo.


E será que estamos preparados para educar crianças para ter essas habilidades?


Pelo que tenho visto, ainda há um longo caminho a ser percorrido, mas já existe um movimento. Algumas poucas escolas e educadores estão, com muito custo, saindo da curva e inovando em sua metodologia, mas a grande maioria ainda é arcaica.


O nosso sistema de ensino ainda possui critérios de avaliação da década de 60! As crianças ainda ficam a maior parte do tempo fechadas em salas de aula, com a figura do professor sendo a “passadora de informação”. A grade curricular não é atrativa para os pequenos, o que gera desinteresse e falta de atenção por parte daqueles que são mais criativos e precisam de um estímulo extra. São os que muitas vezes são diagnosticados com TDAH (Transtorno de Hiperatividade e Déficit de Atenção) e acabam sendo medicados para poderem se enquadrar e um sistema de ensino que já não cabe mais no mundo de hoje.


Veja bem, é importante deixar claro que crianças com diagnóstico bem conduzido de TDAH devem sim, ser tratadas e medicadas. Porém, há de se questionar o excesso de diagnóstico que está acontecendo atualmente, o que em breve será assunto para outro post.


O poder da brincadeira


Saindo do ambiente escolar e avaliando o ambiente familiar, as crianças não estão conseguindo fazer o que mais precisam para que esses DELTAs seja desenvolvidos: BRINCAR! Pois é na brincadeira que ela desenvolve capacidades cognitivas como resolução de problemas, raciocínio ágil, criatividade e imaginação. Também desenvolve praticamente todas as habilidades interpessoais e de autoliderança.


Pense nisso com carinho: baseado no que vimos até agora sobre as habilidades que um profissional deve ter no futuro, é no ato de brincar - no lúdico - que a criança irá desenvolver praticamente todas as habilidades necessárias para se transformar em um adulto com maiores chances de realização. Se seu filho está com a agenda lotada e você matricula ele em todas as atividades possíveis – música, Kumon, judô, inglês, apoio pedagógico - achando que está preparando ele para o mercado de trabalho, acho bom rever alguns conceitos.


Mais do que nunca, a educação familiar é a grande responsável pelo desenvolvimento de um ser humano preparado para a vida. Ignorar isso e delegar a educação exclusivamente para a escola é privar seu filho de um futuro sensacional.