• Fabiola Aurich

A privação do sono nas mães e suas consequências



O bebê humano é uma das criaturas mais caras da natureza. Enquanto outros animais já nascem e saem andando e se virando, necessitando de alguma proteção da mãe por alguns meses ou dias, o bebê humano precisa de cuidado por anos, caso contrário ele não sobrevive. O nosso bebê demanda muita, muita, muita energia por parte dos pais. Da mãe, principalmente.


Uma das maiores queixas das mães é não dormir. Algumas chegam a passar meses sem conseguir ter 5 horas seguidas de sono. O bebê começa a produzir melatonina (hormônio que estabelece o ciclo circadiano e regula o sono) por volta dos 3 meses de idade. Sendo assim, mesmo que um bebê durma muito – eles dormem, em média, 10 a 19 horas por dia no primeiro ano de vida – esse sono é bem bagunçado.


O sono é uma necessidade biológica fundamental para os seres humanos e ele é significativamente interrompido após o nascimento de uma criança. Essa pobre qualidade e quantidade de sono na mãe tem sido relatada como responsável por uma gama de problemas em sua saúde mental: alterações de humor, irritabilidade, diminuição da cognição e atenção, interações sociais prejudicadas (principalmente a interação com o bebê) e até depressão. Uma mãe de recém-nascido está com todos os Divertidamente em crise. E com razão.


Além dos problemas relacionados à saúde mental, noites mal dormidas que acontecem por mais de 3 x por semana e por mais de 3 meses (o que geralmente ocorre no puerpério) também podem prejudicar a saúde materna, aumentando o risco de doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2.


Mas o que podemos fazer?


Sinto lhe dizer, mas não há muito o que ser feito. Praticamente todas nós passamos por isso, umas mais intensamente que outras, mas sobrevivemos. Se serve de consolo: isso passa! Respira fundo e entenda o processo. Saiba das razões pelas quais o bebê ainda não dorme a noite toda e não tenha raiva dele. Funcionamos assim, ele não tem culpa alguma. É só um ser humaninho passando pelo processo de ser humano. Também compreenda por que você (ou sua companheira) se irrita com tanta facilidade e não se culpe por isso. Mas tente manter o controle.


Como o sono de princesa vai ter que ficar para depois e não tem como aplicar fórmulas mágicas do tipo: “faça seu bebê dormir em 30 minutos”, a mãe precisa se cuidar. Deve-se controlar os fatores protetores como: manter uma alimentação saudável, fazer exercício físico, dormir e descansar sempre que puder, ter uma rede de apoio e, por último mas não menos importante, manter uma rotina. Essa rotina deve incluir toda a família, inclusive o bebê, e contemplar uma boa higiene do sono. Assim, você já vai ajudando a regular a produção de melatonina dele e, em breve, os carneirinhos voltarão a pular.


E que a força esteja com vocês!








Fonte:


Espie CA, Emsley R, Kyle SD, Gordon C, Drake CL, Siriwardena AN, Cape J, Ong JC, Sheaves B, Foster R, Freeman D, Costa-Font J, Marsden A, Luik AI. Effect of Digital Cognitive Behavioral Therapy for Insomnia on Health, Psychological Well-being, and Sleep-Related Quality of Life: A Randomized Clinical Trial. JAMA Psychiatry. 2019 Jan 1;76(1):21-30. doi: 10.1001/jamapsychiatry.2018.2745. PMID: 30264137; PMCID: PMC6583463.


Lillis TA, Hamilton NA, Pressman SD, Ziadni MS, Khou CS, Boddy LE, Wagner LM. Sleep quality buffers the effects of negative social interactions on maternal mood in the 3-6 month postpartum period: a daily diary study. J Behav Med. 2018 Oct;41(5):733-746. doi: 10.1007/s10865-018-9967-y. Epub 2018 Sep 6. PMID: 30191435; PMCID: PMC6404752.

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