Terapia ABA: saiba o que é esse método!

ABA é a abreviação de Applied Behavior Analysis, ou Análise do Comportamento Aplicada. Explicando: existe uma disciplina nos cursos de psicologia chamada análise do comportamento. Ela tem um ramo de ciência básica (conhecido como análise experimental do comportamento, experimental analysis of behavior) e um ramo de ciência aplicada, de onde vem a sigla ABA. Pode ser considerada uma linha teórica da Psicologia, assim como a Terapia Cognitiva, Psicodrama, entre outras, sendo que cada linha possui uma forma peculiar de se trabalhar.


As intervenções em ABA se tornaram bastante conhecidas no tratamento do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) e já possui extensa documentação científica que comprova a eficiência do seu uso, sendo inclusive indicada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para tal fim. Ela contribui para melhorar os comportamentos sociais e as habilidades tanto de crianças como de adultos, oferecendo dessa forma maior independência e segurança para o indivíduo.


Enfim, o que é a Terapia ABA?


Assim como a química, física e biologia, a ABA é uma ciência. Não pode ser confundida como um método sistematizado, ou seja, um conjunto de tarefas a serem cumpridas pelo indivíduo. Ela se baseia no estudo e conhecimento do comportamento humano para realizar intervenções individualizadas que irão melhorar a qualidade de vida da pessoa.


Existem várias abordagens diferentes de ABA, desde as mais sistematizadas até as mais lúdicas, com brincadeiras. Essa abordagem irá trabalhar comportamentos alvo da criança, como por exemplo, a imitação, a fala, a compreensão auditiva...


Como é realizada?


Primeiramente, é feita uma avaliação minuciosa do comportamento do indivíduo, identificando os comportamentos que estão em excesso, como por exemplo se uma criança se interessa exageradamente a certo tema ou objeto, apego excessivo a rotina, comportamentos agressivos... ou que estão em déficit, como em casos de pouca relação social, higiene pessoal, problemas de fala...


Após a avaliação, são estabelecidos os objetivos de ensino, quando se vai ensinar o que se está em déficit e trabalhar para diminuir o que se está em excesso. Por exemplo:


  • fazer a tarefa de casa estabelecida pela escola;

  • fazer contato visual por 5 segundos;

  • ler em voz alta uma frase de um livro;

  • escovar os dentes.

Para cada um dos objetivos estabelecidos, é elaborado um plano de intervenção individual ou programa de ensino. Esse plano é reavaliado e medido continuamente a fim de se corrigir o curso caso não haja a evolução planejada.


Normalmente, uma vez por ano a criança é reavaliada e os objetivos são novamente traçados e repensados, tendo assim uma intervenção dinâmica, focada exclusivamente nas necessidades individuais da pessoa.


Pode ser feita em todas as idades?


Quanto mais precoce for a intervenção, melhor, mas a terapia ABA é indicada para todas as idades. Ela ajuda em qualquer situação relacionada ao comportamento: gestão de pessoas, comportamento do consumidor, atletas de alto rendimento, atraso escolar, obesidade, entre várias outras situações.


Qual profissional pode atuar com terapia ABA?


O profissional que planeja e realiza uma intervenção baseada em ABA é o Analista do Comportamento. Ainda não existe uma graduação específica regulamentada para analista do comportamento, sendo que na maioria das vezes o atendimento é realizado por profissionais psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, pedagogos, etc., que se especializaram em Análise do Comportamento.


Existe um exame de certificação internacional que atesta que um profissional possui o conhecimento necessário para atuar como analista do comportamento. O comitê certificador é o BCBA (Board Certified Behavior Analyst – Comitê Certificador de Analista do Comportamento) originário dos Estados Unidos, mas acessível a profissionais em diversos países.


Na procura por um profissional qualificado, pesquise se o mesmo possui alguma dessas qualificações:

1- Especialização em ABA;

2- Experiência comprovada, com cursos e trabalho sob supervisão;

3- Mestrado ou Doutorado em Psicologia ou Educação ou em Análise do Comportamento;

4- Publicações acadêmicas sobre ABA;

5- Acreditado pela ABPMC (Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental);

6- É BCBA.


Fonte:

  1. http://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/103312/9789241506618_eng.pdf;jsessionid=ACB1A24C46050C1E20C8787C10F28BB6?sequence=1

  2. http://www.nationalautismcenter.org/national-standards-project/

  3. Klintwall L, Gillberg C, Bölte S, Fernell E. The efficacy of intensive behavioral intervention for children with autism: a matter of allegiance? J Autism Dev Disord. 2012;42(2):139-40

  4. Vismara LA, Rogers S. Behavioral treatments in AutismSpectrum Disorder: what do we know? Annu Rev Clin Psychol. 2010;6:447-68.